Como controlar vendas consignadas: guia para revendedoras

O passo a passo para saber o que vendeu, quem já pagou, o que falta receber e quanto repassar à fornecedora no fim do ciclo do consignado.

Por Publicado em Atualizado em 6 min de leitura

Para controlar vendas consignadas, anote cada peça que sai do kit com cliente, valor, data e forma de pagamento. Registre cada pagamento que entrar, mesmo os parciais. No fim do ciclo, some o que foi vendido, calcule o repasse da fornecedora e devolva o que sobrou. O segredo é fazer isso na hora da venda, não no dia do acerto.

Parece simples, mas é justamente aí que a maioria das revendedoras se perde: as vendas ficam espalhadas entre caderno, conversas de WhatsApp e memória, e no dia do acerto ninguém sabe ao certo quanto entrou, quanto falta receber e quanto é da fornecedora.

Este guia mostra o que anotar, como fazer as contas e como chegar ao fim do ciclo sem susto.

Como funciona a venda consignada?

Na venda consignada, a fornecedora entrega um kit de peças e você só paga pelo que vender. Ao fim de um período combinado (o ciclo, que costuma ser de 30 a 60 dias), vocês fazem o acerto: você paga a parte da fornecedora sobre as peças vendidas e devolve as que não saíram.

A sua parte é a comissão, um percentual do valor vendido combinado com a fornecedora. O resto é o repasse. Cada fornecedora define o próprio percentual e as próprias regras, então tenha isso por escrito antes de começar.

O que anotar em cada venda?

Toda venda precisa de cinco informações. Se faltar uma, o acerto vira adivinhação.

O que anotarPor quê
Peça vendida (código ou nome)Para conferir com o kit no acerto
Cliente (nome e telefone)Para saber quem cobrar
Valor e descontoO repasse é calculado sobre o valor vendido
Data da vendaPara saber em qual ciclo ela entra
Forma de pagamento e parcelasPara saber o que já entrou e o que ainda vai entrar

Como controlar quem já pagou e quem ainda deve?

Na revenda, é comum a cliente levar a peça hoje e pagar em partes. Por isso, cada venda tem dois números diferentes: o valor da venda e o valor já recebido. A diferença entre eles é o que falta receber.

Cada vez que entrar um pagamento, registre o valor e a data junto da venda. Assim você sabe, a qualquer momento:

  • quanto já entrou no seu caixa;
  • quanto ainda está na rua, com as clientes;
  • quais clientes estão com parcela atrasada.

Esse terceiro ponto é o que mais faz diferença no fim do mês. Sem ele, você só descobre o atraso quando precisa do dinheiro.

Quanto repassar à fornecedora?

O repasse é calculado sobre o valor vendido no ciclo, não sobre o que você já recebeu. É aqui que mora o maior risco do consignado: você pode ter que pagar à fornecedora por uma venda que a cliente ainda não te pagou.

Um exemplo, com uma comissão de 30% para a revendedora:

ItemValor
Total vendido no cicloR$ 2.000,00
Sua comissão (30%)R$ 600,00
Repasse à fornecedora (70%)R$ 1.400,00
Já recebido das clientesR$ 1.250,00
Ainda a receber das clientesR$ 750,00

Nesse caso, no dia do acerto você deve R$ 1.400,00 à fornecedora, mas só recebeu R$ 1.250,00. Faltam R$ 150,00, que vão sair do seu bolso até as clientes terminarem de pagar.

Por isso, vale a pena acompanhar dois números ao longo do ciclo, e não só no fim:

  1. Repasse acumulado: quanto você já deve à fornecedora pelas vendas feitas até hoje.
  2. Recebido acumulado: quanto já entrou de fato.

Se o recebido estiver muito abaixo do repasse perto do acerto, é hora de cobrar as parcelas atrasadas ou pedir uma entrada maior nas próximas vendas.

Quanto pedir de entrada nas vendas parceladas?

Uma forma de proteger o caixa é pedir uma entrada que cubra, pelo menos, uma parte do repasse daquela peça. Se a peça custa R$ 150,00 e o repasse é de 70%, a parte da fornecedora é R$ 105,00. Uma entrada perto desse valor garante que, mesmo que a cliente atrase o resto, a sua dívida com a fornecedora já está coberta.

Não precisa ser exato: a ideia é evitar vender parcelado em muitas vezes sem entrada nenhuma bem perto do dia do acerto.

Como fazer o acerto do fim do ciclo?

Com as vendas anotadas, o acerto vira uma conferência (o passo a passo completo está no guia do acerto do consignado):

  1. Conte as peças que sobraram e compare com o kit que você recebeu. O que não está nem no kit nem nas vendas precisa ser explicado antes do acerto.
  2. Some o total vendido no ciclo, já com os descontos.
  3. Calcule o repasse aplicando o percentual combinado.
  4. Confira com a fornecedora o valor e a lista de peças vendidas.
  5. Pague o repasse e devolva as peças que não foram vendidas.

Depois do acerto, as vendas daquele ciclo não mudam mais. Mas as clientes que ainda devem continuam devendo: os pagamentos que entrarem depois são seus, porque o repasse já foi pago.

Caderno, planilha ou sistema?

O caderno funciona para poucas vendas por mês, mas não soma nada sozinho e não avisa quem está atrasado. A planilha resolve as contas, mas exige disciplina para atualizar cada pagamento e costuma se perder quando as vendas parceladas aumentam.

Um sistema feito para isso faz as contas do repasse sozinho e mostra quem já pagou e quem está atrasado. O Luz de Caixa foi criado justamente para esse dia a dia: cada pagamento atualiza a venda sozinho, o fechamento do ciclo calcula o repasse e as clientes recebem o lembrete das parcelas pelo WhatsApp.

Resumo

  • Anote cada venda na hora, com peça, cliente, valor, data e forma de pagamento.
  • Registre cada pagamento, inclusive os parciais.
  • Acompanhe o repasse acumulado e o recebido acumulado durante o ciclo, não só no fim.
  • Peça entrada nas vendas parceladas para não pagar a fornecedora do seu bolso.
  • No acerto, confira o kit, some as vendas, calcule o repasse e devolva o que sobrou.

Se quiser parar de fazer essas contas na mão, teste o Luz de Caixa grátis.

Foto de Davi Rodrigues de Lima

Davi Rodrigues de Lima

Criador do Luz de Caixa

Web designer e desenvolvedor, criador do Luz de Caixa. Acadêmico de Sistemas de Informação na UFMS.

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